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Muhammad Ali passou três semanas de 1987 em Curitiba PR

Pugilista deixou um escasso rastro de lembranças, salvo a compra de 1.440 carros Puma

Depois de Curitiba ele foi para Porto Alegre

Andando pela Boca Maldita na Calçadão XV de Novembro. No dia 28 de abril de 1987, um senhor de 45 anos passou por lá e levou uma hora nesse trajeto, com passos tranquilos, paradas para engraxar os sapatos nas vitrines e fazer fotos do prédio histórico da UFPR.


Também tirou fotos com os curiosos mais atentos que o reconheceram e crianças, mas por pouco não passou despercebido pela multidão que´frequente nesse calçadão.


“O pessoal passava, olhava para ele e não acreditava”, relembrou Ru­­bens Maluf Dabul, que acompanhou o visitante fora do comum.


O visitante era Muham­­mad Ali. Sim ele!!! O Campeão dos pesados estava em Curitiba para uma visita.


E esse não foi o único dia que o maior boxeador de todos os tempos, batizado Cassius Marcellus Clay Jr, andou pelas calçadas da capital paranaense, Curitiba.


Durante as três semanas que passou na cidade, o peso-pesado saía frequentemente do hotel onde se hospedou para bater perna ao lado de uma intérprete.


Comprou roupas em uma loja na Praça Osório. Foi ao Parque Barigui e almoçou em Santa Fe­­licidade. Conversou com engraxates sobre os produtos que eles utilizavam para limpar calçados – o americano tinha uma empresa que fabricava produtos para sapatos.


Também fazia algumas mágicas inocentes para crianças e almoçava quase que diariamente no mesmo lugar que os operários da fábrica que o trouxe ao Brasil. Ele adorava, atesta Maluf.


Ali chegou ao Brasil justamente por intermédio de Rubens Maluf, empresário que trouxe para Curitiba a montadora de carros Puma no fim de 1986. Kevin Hai­­nes, representante da marca em Houston (EUA), convenceu o advogado do boxeador e fã do modelo produzido no Brasil, Richard Hirschfeld, a visitar Curitiba para negociar.


Então aposentado há seis anos e com condição financeira para investir alto, o boxeador desembarcou na cidade com um engenheiro e um consultor, além do advogado e amigo.


Durante sua estada em Curitiba, o boxeador mostrou-se uma pessoa com personalidade dupla. Em frente às câmeras e jornalistas quem dava as caras era Muhammad Ali, o personagem empresário. Vestia terno, quase sempre escuro, falava pouco e, principalmente, não sorria.

Nos bastidores, o verdadeiro Ali aparecia. Vestia bermuda e chinelo. Era brincalhão. Aprendeu até os palavrões da linha de montagem, diverte-se Maluf.


O mal de Parkinson, doença que lhe tirou a vida em 3 de junho de 2016, ainda estava em fase inicial. “Ele tinha uns ataquezinhos, mas os ataques de malandragem eram muito superiores”, brincou.


São raros os que se recordam da vinda de Ali a Curitiba. O aposentado Arthur Theophilo de Castro viu a cena de longe. Ele era o proprietário do Ginásio Paranaense de Pesos e Halteres, que ficava bem em frente à Boca Maldita. “Olhei lá de cima, mas não cheguei a descer. Foi meio de surpresa”, falou Castro, que contou à Gazeta do Povo que um amigo fez até sombra com o lutador no calçadão.


Uma história do tempo em que Curitiba virou o ringue particular do maior de todos, mas quase se perdeu .





29 de novembro de 2020

Site de Notícias de Curitiba / Paraná

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