'Manifesto' e as alternativas da arte contemporânea


Para pergunta do que seria arte, hoje encontrar essa resposta antes deveria vir antes saber se uma obra é arte ou não, no entanto, se um artista diz ser arte e contextualiza, ela já não se torna arte? Como fez Duchamp. Quando um carinho na barriga no cão pode ser considerado zoofilia ou limpar o bumbum do bebê começa a ser confundido com pedofilia? A final, em que estão baseando as críticas?

O filme arte "Manifesto" traz não uma, mas 13 alternativas para esse problema, um modo de perceber que não existe contrastes a não ser quando o homem julga com seu preconceito, sem o senso de reflexão.

O filme transpõe uma instalação do artista alemão Julian Rosefeldt, exibida em Melbourne, em Berlim e em Nova York em 2015. Reunia 13 conjuntos de vídeos protagonizados pela atriz Cate Blanchett e apresentados simultaneamente numa mesma sala de exposição.

Para o cinema, o artista ajustou o dispositivo para uma ordem alternada, com trechos de uma sequência interrupta uma entre a outra, mantendo assim o princípio de simultaneidade, essencial ao projeto e entendimento.

As múltiplas personagens que Blanchett interpreta representam a diversificação da arte, sobretudo a partir do modernismo, quando proliferaram manifestos em defesa das propostas estéticas mal compreendidas em seu tempo, no qual deixa o óbvio para fazer seu observador pensar e questionar sua própria existência.

As falas recuperam ideais, assim como palavras de ordem e anúncios desses textos, que forjavam conceitos no fogo da eloquência.

Mas o filme não se confunde com uma palestra ou uma leitura, graças à interpretação de Blanchett. A atriz muda a mensagem como troca de figurino e de personagem, reafirmando a riqueza do termo "performance".

Não se trata de uma história convencional, com ações progressivas, mas de instantes fulgurantes, que se cruzam, reafirmam-se e entram em choque com o hoje.

Ao mesmo tempo que reafirma a força destrutiva da arte, o filme "Manifesto" não a encara a arte de um ângulo só. Fenômenos conhecidos, como a pose, o esnobismo e o excesso de interpretação, aparecem quando Blanchett encarna a roqueira que cospe ou quando dá contornos à apropriação estéril da colecionadora.



25 de outubro de 2020

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