Ex-servidores confirmam acusações contra vereadora


Duas denunciantes prestaram depoimentos, nesta quinta-feira (26), na Câmara Municipal, no caso em que a vereadora Katia Dittrich (SD) é acusada de exigir parte dos salários de ex-funcionários de seu gabinete (leia mais). A Comissão Processante – formada pelos vereadores Cristiano Santos (PV), Osias Moraes (PRB) e Toninho da Farmácia (PDT) – informou que outros quatro denunciantes seriam ouvidos, mas dois foram dispensados por não estarem mais no Paraná e outros dois solicitaram o reagendamento por motivos pessoais.

Luciana Mara Chuchene, que foi chefe de gabinete de Katia, de janeiro a julho deste ano, contou que não fez vários repasses, foi “aporte único” no valor de R$ 5 mil neste ano à vereadora. “Não houve essa conversa de fazer mês a mês.” Ela contou também que os funcionários sofriam “maus tratos” por não quererem dar dinheiro. Inicialmente a intenção, conforme Luciana, seria pagar R$ 1 mil, mas Katia “falou que era muito pouco”. De acordo com a ex-assessora, a vereadora “falava que quem não colaborasse ia ser exonerado”. Segundo Luciana, no início Katia chegou a falar em auxílio dos funcionários à causa animal, “5% do salário para ração dos cachorros, mas que depois ela ia tratar sobre isso e não chegou a falar mais”.

Luciana disse também que outros funcionários precisavam repassar mensalmente valores, alguns chegavam a “de R$ 3 mil a R$ 3,4 mil”. Contou que do jornalista Diego Xavier, Katia teria exigido R$ 1,5 mil mensais, mas que ele só teria repassado R$ 1 mil inicialmente, pois sua mãe havia ficado doente e ele precisava do dinheiro. “Houve uma cobrança disso [do restante] e ele acabou sendo exonerado”. “Fui obrigada, bem quando a mãe dele estava pra falecer, a dar a notícia de que ele estava desempregado”, relatou Luciana.

A ex-chefe de gabinete disse não ter acompanhado o momento do depósito que Xavier fez, mas o advogado da parlamentar, Paulo Golambiuk, questionou a afirmação e sustentou que “há muita fragilidade no depoimento”. “Houve muitas contradições, como por exemplo, diz [na denúncia escrita] que acompanhou um dos assessores ao banco para fazer o depósito [Xavier] mas na verdade ela veio aqui e disse que não, que jamais, em nenhum momento, contradizendo o que ela mesma em tese subscreveu”.

Golambiuk defende a tese de que não era um repasse, um desconto do salário, mas sim um empréstimo. “Ela [Luciana] confirmou que o depósito realizado em maio deste ano, que se tem comprovante bancário, era um mero empréstimo e não um repasse.” Em entrevista à imprensa o advogado alegou que “se a vereadora realmente estiver devendo pra ela, deve ajuizar uma demanda na Justiça comum e não pleitear a cassação”.

“Contribuição” mensal

A jornalista Virgínia Vargas da Costa, que trabalhou para Katia de janeiro a março deste ano, disse que houve uma conversa já em dezembro do ano passado, sobre uma possível “contribuição”. “Falaram que seria uma contribuição mensal, que todos do gabinete fariam.” O valor solicitado mensalmente teria sido de R$ 1.500, mas Virgínia não teria aceitado e não contribuiu no primeiro mês. “No segundo mês não contribuí e começaram histórias no gabinete que eu precisava ser demitida, que outros contribuíam e isso eram injusto”.

Para ela, sua exoneração foi resultado de um “complô”. “Acho que a minha demissão ocorreu por um complô que foi realizado dentro do gabinete com vários funcionários que faziam esse repasse e que não estavam contentes por eu não estar fazendo.” Segundo Virgínia e Luciana, não era Katia, mas o esposo dela (que não tem cargo em comissão), quem comandava o gabinete. “Katia sempre foi muito submissa ao Marcos no gabinete, era o Marcos que usava a mesa dela, ocupava o computador dela. Foi o Marcos quem me demitiu, a Katia não estava no gabinete”, afirmou a jornalista.

Outras testemunhas

O presidente da Comissão Processante, Cristiano Santos, informou que ainda restam duas oitivas de denunciantes – Samira Tomé e Ronaldo Sérgio da Silveira Filho, que não puderam comparecer e pediram o reagendamento dos depoimentos. O jornalista Diego Xaver está na Irlanda, não deixou contatos, por isso não pôde ser notificado, e Maíra Bonfim, que está no Mato Grosso.

“Depois teremos as testemunhas da própria vereadora Katia e por fim a vereadora para que apresente as suas defesas. Estamos prezando pelo cuidado, fazendo de tudo para garantir a ampla defesa, ouvindo as pessoas que estão denunciando, estaremos também ouvindo as testemunhas de defesa da vereadora, o que a gente quer é que a Justiça prevaleça”, salientou Santos.

Ao final do processo, a Comissão poderá opinar pelo arquivamento do processo, ou pela cassação do mandato. O relatório será encaminhado aos demais vereadores e a decisão será tomada em plenário, pelos 38 parlamentares.

21 de outubro de 2020

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