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Eu sou Muhammad Ali, um homem livre


O pugilista Cassius Clay conhecido como Muhammad Ali foi e é a figura máxima da nobre arte, seja no exemplo de determinação, ideologia ou pela categoria que apresentava nos ringues, pesos pesados.

Vermos atletas que atingem o mais alto nível de suas modalidades, potencializando todo seu desempenho físico, mas que não se comprometem com causas fora das esferas esportivas, ou por ser inerte ou não ter questões políticas precedentes de sua época. Mas Ali, não. Ali não era somente um excelente atleta, muito pelo contrário, sabia das dificuldades que uma sociedade reacionária americana pregava contra seus irmãos negros, como perseguição e segregação racial. E não queria viver mais sob essa luz. E o que mostra isso por exemplo é ele ter negado seu nome de batismo, condenando-o como sendo de “patrões” que davam o nome para seus antepassados escravizados.

Os Estados Unidos, um povo bem separado quando se trata de questões de cor, e sabendo muito bem disso e sabendo da força que possuía dentro e fora dos ringues, atuou como porta voz para que os negros fossem tratados da mesma maneira que a sociedade branca, sem nenhum privilégio, mas sim com igualdade de condições. Sempre olhando diretamente para as pessoas, Ali entoava palavras que desafiavam as autoridades e a sociedade.

Suas fortes convicções pessoais e pela amizade com Malcolm X, o maior defensor e ativista do nacionalismo negro dos Estados Unidos, tomou uma decisão que o fez mudar de patamar diante os olhos do mundo. Se recusou a atender ao chamado do exército para servir os americanos na Guerra do Vietnã. E em poucas palavras justificou sua deserção, mesmo sabendo das consequências que a decisão traria a sua carreira:

“Eu não tenho problema algum com os vietnamitas. Eles nunca me chamaram de crioulo.”

Essa sua decisão, impactante para a época, fez com que Ali ficasse longe dos ringues por três anos, sem poder fazer aquilo que mais amava. Mas a decisão do governo Americano de afasta-lo dos ringues não foi o bastante e esses anos trouxeram a ele uma descoberta maior para as suas convicções, tanto na questão política quanto religiosa. Passou a se dedicar mais ao Islamismo e a defender com mais força os negros nos Estados Unidos, sendo visto constantemente em programas de televisão debatendo sobre o porquê do negro ser maltratado e obrigado a frequentar lugares diferentes dos brancos, questões que desde a infância o incomodava.

Outra questão que mexeu diretamente com a política americana foram suas visitas a Cuba no final da década de 90. Contrariando a questão do embargo político que os Estados Unidos pregava depois do fim da União Soviética, Ali levou ajuda humanitária a terra de Fidel Castro, que sofria com a escassez de recursos, por ser um país socialista, ninguém se dava conta que lá também tinham sobreviventes, mais importantes que a própria relação de governos.

Nessas visitas, se reuniu com aquele que talvez fosse seu maior oponente, Teófilo Stevenson, tricampeão olímpico que recusou a riqueza e profissionalização em nome da defesa do comunismo como estilo de vida.

Especialistas apontam Stevenson como aquele que no auge, poderia nocautear Muhammad Ali. Por sua vez, Ali sempre nutriu um respeito incondicional pelo lutador cubano, tanto pela sua exuberância dentro do ringue, quanto pela coragem de desafiar todo o sistema do boxe mundial e governantes poderosos, por conta de suas convicções pessoais e amor ao seu país e principalmente pela liberdade.

Hoje não temos mais o grande Muhammed Ali, vítima de um nocaute lento, doloroso causado pelo Mal de Parkinson, único adversário que conseguiu diminuir o tom de suas palavras e o impacto de seus golpes. Mas, mesmo debilitado, nunca deixou de ser presente e por isso sempre reverenciado por todos que amavam o esporte, e por aqueles que de alguma maneira foram beneficiados por sua luta social.


5 de dezembro de 2020

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