Quando a arte nasce da dor interna e questões humanas


Em um fenómeno europeu do início do século XX o expressionismo que encontrou na Alemanha condições particularmente propícias para o seu desenvolvimento, deu início a grandes experimentações da forma e expressão gráfica. Em 1905, um grupo de artistas formou o Die Brücke (A Ponte), outros iniciaram o Der blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), isso tudo a partir de 1911. Apresentando propostas revolucionárias para o fazer artístico, quando se trata das artes plásticas, em particular a gravura, esses artistas opõem-se ao carácter essencialmente sensorial do Impressionismo. Se por impressão consideram a realidade que se imprime na consciência, por expressão entendem a subjetividade que se imprime à realidade, e na gravura e sua infinita reprodutibilidade o alcance nos confins da humanidade. O Expressionismo pressupõe o compromisso do artista em relação às questões sociais e à situação histórica, almejando uma relação efetiva com a sociedade. Em que a questão da comunicação é de fundamental importância. Esses preceitos nortearam também os expressionistas que não participaram dos dois grupos seminais do movimento, e até mesmo as derivações ocorridas noutros países.

A linguagem formal da gravura desenvolveu-se ao mesmo tempo que a da pintura expressionista, e ao exercerem mútua e íntima influência, constroem uma coesa poética visual, até então inédita em qualquer outro momento da história da arte, diferente, por exemplo no tempo de Rembrandt, que a gravura em uma das suas utilidades serviam para copiar grandes pinturas e distribuídas para o povo em geral. A força das imagens deriva da rigidez e angulosidade das linhas, da utilização de formas maciças, da simplicidade arcaica do fazer e da referência à arte dos povos de uma civilização mais autêntica. Imagens que prenunciam e registram um período entremeado de melancólicos e negros presságios de guerra e morte.

Schmidt-Rottluff, talvez o mais contundente dos artistas do Die Brücke, imprime nas suas xilogravuras uma vigorosa tensão, ao passo que, entre os expressionistas independentes, Beckmann fere o metal com a veemência de sua ponta-seca para apresentar um “circo” de personagens e situações insólitas. Otto Dix, personagem predominante no período entre guerras, mostra o homem em sua penúria e estado peculiar, com malícia e fealdade.


19 de outubro de 2020

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